quarta-feira, 27 de abril de 2011

Idas e vindas (alguns conselhos de um viajante...)



Posso dizer que já conheci muitos lugares nos meus poucos anos de vida...  Na verdade nem tantos assim, mas o suficiente para sentir saudade.

Amigos e inimigos, amores e frustrações, dramas e bobagens...  Sinto que cada lugar que passei foi um mundo diferente, com pessoas, hábitos, medos, opiniões e vidas diferentes. Muitas vezes imaginei que nunca acharia um lugar igual ao que eu estava, era incrível como comecei a pensar que tudo era insubstituível.  Cada lugar que passava me apaixonava e acreditava que aquele era o único lugar onde seria feliz, mas como na minha infância muitas coisas foram inconstantes, se tornou um hábito não se habituar. A verdade foi que nunca passava mais que três anos em um mesmo bairro, escola ou até mesmo estado (meu ensino fundamental foi feito em seis escolas diferentes). Lembro-me que em cada despedida meu mundo despencava, escrevendo agora me sinto meio tolo, mas era o que sentia no momento e não devemos ter vergonha alguma do que sentimos. Muitas vezes não aceitava minha realidade, ficava tão obcecado tentando voltar  que acabava esquecendo  do  presente, correndo atrás de um passado idealizado. Mas aprendi de uma forma bem ruim que o tempo é implacável.

 Por duas vezes consegui voltar ao meu “sonhado lar”... Mas nada estava como eu havia deixado. As pessoas mudam, os lugares mudam, as crenças mudam... A verdade foi que não reconhecia mais onde estava e isso foi um baque terrível. Para não fugir da rotina me mudei mais uma vez e cometi um erro que jamais vou esquecer.  Como estava bem machucado com o ultimo ocorrido, tive o seguinte raciocínio: “Não quero nunca mais sentir a decepção que tive, para que se apegar a algo que sei que será cruelmente breve? Quanto mais estiver gostando do lugar em que estou  parece que mais rápido vou embora...  Seria muito doloroso para mim e para quem se envolver comigo. Para não me arriscar vou evitar me envolver tanto  com as pessoas novamente. É mais seguro e mais simples... quando for embora de novo não vai ter ninguém para me lamentar”

Pois é... Meio dramático não é?

Mas acredito ser compreensivo para alguém que se machucou tanto. Entenda que nunca fiquei em um lugar tempo suficiente para ter muitos amigos e como era meio tímido isso não era bem o meu forte. Fora isso, não tinha sido a primeira vez que isso acontecia e geralmente quando alguém se machuca prefere se proteger a se arriscar... E esse foi o meu erro. Deixei-me guiar pelo medo.

Sei que isso pode ser piegas, mas é a verdade. 

Às vezes quando nos machucamos  acreditamos que não devemos mais nos arriscar, mas imaginem o quanto perdemos com isso...

Quantos lugares deixamos de ver por medo de encarar o novo?

Quantas pessoas perdemos a chance de conhecer por medo de puxar um assunto?

Quantos amores deixamos de viver com medo de reviver males passados?

Sei tanto quanto você como isso é ruim, mas seria demais dizer que entendo a sua dor... Cada um tem os seus problemas e só quem sofre com eles sabe o seu significado, sabe o valor da sua dor. Mas gostaria que você soubesse de uma coisa. Evitar a adversidade pode ser mais cômodo, mas nunca será  a solução. Tentei fazer isso e nunca me ajudou.  Enfrente seus problemas e entenda a sua realidade, se lamentar não é a solução, isso só te deixa uma pessoa carrancuda e infeliz.

Viver é aceitar riscos, às vezes dá certo... Ás vezes não, mas não podemos deixar de arriscar! Podemos nos machucar,  mas evitar isso seria de certa forma deixar de viver plenamente, afinal não é com o sucesso que aprendemos mas sim no fracasso que estão as maiores lições. Devemos deixar a vida fluir aceitando que as coisas passam e que não voltam mais...  Isso é doloroso, eu sei, mas não podemos fazer nada a não ser eternizar aquele retalho de vida na memória e ao mesmo tempo estar pronto para encarar o que está por vir com esperanças e a cabeça aberta, pois o momento que virá pode ser tão breve quanto o que passou e seria triste se você não o aproveitasse.
Novos amigos que nunca imaginastes conhecer, novos lugares que jamais teve idéia de ver, novos desafios... Novos amores que com certeza serão tão únicos quanto os que passaram.

Portanto meu amigo gostaria que você tivesse a coragem que não tive e aproveita-se intensamente o presente... Sei que estou pedindo muito para alguém que malmente conheço, desculpe-me se estou sendo um pouco inconveniente, mas não gostaria que você comete-se o erro que cometi.

Obrigado pela atenção.
 
“Aprender com os seus próprios erros é sinal de inteligência, mas aprender com os dos outros lhe faz sábio.”

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